Vida


Talvez por tudo ser assim mesmo: água escorrendo e roda girando.


A felicidade é tudo isso que está ao seu lado, sorria!

Noite turva

Naquela noite turva, nós a caminhar
Em busca de lugares escuros
E portões trancados, ficamos a vagar.
Sem rumo, sem decência, sem pudor,
Entramos no caminho estreito da emoção,
Do desejo ardente e do prazer.
Seguimos trêmulos e inseguros
Pelo caminho inexplorado de folhas secas.
Por um momento quase fomos pegos,
Olhos vermelhos a nossa espreita
Olhando suspeitos, indignados, procuravam a denuncia.
Astutos e velozes correram ao refugio,
Retardaram sabiamente o ataque fatal.
Aliviados, seguimos adiante
Em nossa aventura marginal.
De longe sentia-se um cheiro explosivo.
Não intimidado segui ao seu encontro
A fim de continuar em outros ares
O passeio com gosto de aventuras noturnas.
Neste momento, sem o menor cuidado
Risquei inocente e despreocupado meu isqueiro.
Foi o bastante para a explosão.
De repente nada mais se via.
Luzes opacas, fumaça, e muito fogo
Tomavam conta do ambiente
A força e a velocidade de um furação.
Como se tudo fosse uma só força
Que me prendia na parede, me impedia de respirar
E de pensar numa saída, numa alternativa.
Caí de joelhos, não resistia mais, não queria,
Me entreguei a toda a tormenta, aceitei meu destino.
Já entregue, decidido a morrer queimado,
De joelhos diante de ti, surge voando
Sobre a fumaça que nos rodeava
Um morcego com seu canto estridente.
Cantando e batendo suas asas sobre o fogo,
Aos poucos o apagou de vez
E podemos assim sair tranquilamente de lá.
Ao abrir a porta pude entender,
Lá estava ele, o homem dos olhos vermelhos
Saboreando irônico sua vitória,
Rindo solitário porque é assim que ele é.
Saímos de lá, caminhamos perdidos
E desorientados pelo calor e fumaça em excesso
Por algum tempo.
Este tempo, de silencio confuso e indeciso
Durou uma eternidade de vento nos ouvidos,
Mas em fim chegamos,
E na porta da tua casa ouvi de ti a sabia frase:
Isso não pode mais acontecer.

Obrigado!

Pediu? Então lá vai...
Agora são exactamente 07:34, tem mais ou menos uma hora que acordei. Dormi na rede essa noite, tenho achado melhor dormir na lá. Pois aconteça o que acontecer, dormindo a hora que for, lá, 6 horas estou de pé. Todos os dias vejo o dia nascer, dou bom dia ao sol, ao céu, liberto todas as minhas tensões, preguiças, cansasos e ressacas numa espreguiçada demorada e gostosa. Água, como meu pai bem dizia: coisa boa é água... Concordo é a primeira coisa que invade meu corpo, depois, meu chá verde no banheiro. E aí posso começar o dia!
Só que o dia ainda não me conta novidades, o céu está claro, bem azul, aquele azul que dói, o azul de Recife, mas tem algumas nuvens grandes no céu anunciando que o inverno vem por aí. E já que estamos assim, no começo do dia, vou tentar soltar o que me aconteceu nos últimos meses...

Cheiro estranho, noite escura, cidade acesa.
Cheiro doce, saboroso, de encher a boca.
Cheiro, cheiro de mais,
Cheiro de não vou parar por aqui.

Cores
Brilhantes, opacas,
novas, velhas e usadas.
Essas cores da vida.

Nascimentos
Não menos que seus noventa e tantos
Nos últimos três meses.
E aja menino no mundo.

Mortes houveram muitas,
O batalhão teve muitas baixas,
O chão está lavado de sangue,
Mas o que é isso que está nascendo aqui?

Novidade,
Nova idade, vida nova, tudo novo.
Dias e dias que se passaram
Como vento na praia!