Sorrimos

Eu não consigo dizer nenhuma palavra.
De todos os que nos acompanharam eu lembro bem daquele que surgiu distante, escondida por entre os braços, ombros, pescoços e cabeças que passavam no caminho entre nós. Não sei exatamente porque esse entre todos os outros. Mas eu lembro que surgiu nos olhos, eles encontraram, sorriram se derretendo num piscar lento e quando na mesma velocidade se abriam, ferveram as maçãs do rosto que subiram apertando os olhos, puxando um sorriso mágico, encantado, íntimo.
Eu não consigo dizer nenhuma palavra diante de um sorriso.

Acho que a graça nisso tudo é poder brincar. Saber onde está a brincadeira também é legal. Ver quem está brincando, brincar com eles, ver quem não está brincando. É bom saber de quem também. Aí acho que é por isso que me chamam de doido. Eu só não imagino como poderia ser de outro jeito.

Voltei!

Meus dedos ainda estão gelados, falta quem os esquente. No couro, na pele, não sei se ainda resta algo que se assemelhe a algum cheiro, o que tinha foi sugado, absorvido, lentamente, suave. Também os meus olhos pararam de enxergar. Será que é contagiante? No máximo caso pra óculos!
Meus dedos estão dormentes e saber o que me causa esta dormência não é tarefa das mais fáceis, minha mãe chegou a perguntar pelo meu fígado, ?????, mas o que tem meu fígado com a ponta dos meus dedos dormentes? Vai saber... O fato é um só, estão dormentes. Lembro de que ele ficou gelado demais na serra, mas será que foi o cigarrinho no frio? Que decida Vanilce.
Saudade denovo apertando... Mas que coisa, que perseguição desta tal de saudade. Nunca está contente, ou está, e por isso está sempre presente?! Melhor pensar que sim, se é pra sofrer, sejamos felizes sofrendo. É como deixar um pedacinho de si em cada porto, em cada parada. Se esquecer por aí e depois sentir saudades de si mesmo. Mas lá, saudades de si lá, naquele tempo que se foi, naquele lugar que pode ou não estar lá.
De todas as consequências geradas por este movimento, a que mais me inquieta é a sensação de que sempre se está incompleto. Porque nunca se está em todos os lugares com todas as pessoas ao mesmo tempo. Não por falta de vontade ou dedicação, mas pela impossibilidade deste se tornar um evento real.
Mas a beleza disso tudo... ser capaz de sentir, de ver, ouvir. Ser capaz de se transmitir. A saudade é obstinada, desejo capaz de parar o tempo ou de fazê-lo caminhar depressa. É forte, resiste impiedosa durante longos períodos, mesmo que não seja alimentada. É cega, surda e muda, mas consegue remoer sensações e sentimentos de onde não... de onde nem sequer sabemos. É diretora dos assunto de ausência, sempre tentando tapar um buraquinho que ficou em algum lugar.
Serve de que mesmo? Cultiva mais um pouquinho, racionaliza outro tanto, resgata momentos, preenche. Sei não direito isso não. Pronto falei. Tudo isso porque meus dedos ainda estão gelados.

De criança

Ah, eu queria escrever alguma coisa beeeeeem munita pra tu!
Mas eu não sei, não sei o que dizer...
Um dia saberei e direi tudo, do jeito que eu quero que seja!
Tentarei não prolongar este momento, esta conexão, este encontro de fatores.
Uma frase atrás da outra quer dizer mais do que acreditamos, vemos, ou entendemos.
Um dia farei,
Um dia direi tudo como quero dizer.
Um dia!

15 minutos

Acordar com os sol nas minhas pernas, me acordando pra dar bom dia. Virar pro lado tentando me esconder da brincadeira. Desistir e ir pro sofá. Levantar e ligar o ventilador. Colocar o relógio pra despertar "já já". Acordar um pouquinho depois de "já já". Levantar, ligar a televisão, tomar água e ir ao trono. Ligar o computador, ir pra cozinha, preparar o café da manhã e voltar. Tomar café olhando a tela do monitor e escutando uma banda qualquer de pagode na Ana Maria Braga. Lembrar do dia anterior olhando o papel de parede com um texto que eu fiz pra Ninha, planejar o dia actual. Entrar no MSN, orkut, blogs e e-mails pra me actualizar. Pensar naquela menina. Sorrir! É, hoje tem sol. Adoro meus primeiros 15 minutos do dia! Terminei meu café da manhã!