Tem no chão do meu quarto


Hoje acordei ainda cansado, há dias que não durmo bem, cabeça a mil. Meu quarto está uma bagunça, o que não é novidade, mas hoje eu inventei de tirar foto das coisas que estavam pelo chão. Quando fiz uma foto de um monte de coisa que estavam no chão perto da parede, lembrei de uma entrevista que li com Shiko (o artista de João Pessoa que inicia exposição essa semana no Espaço Muda) na qual ele falava do conteúdo das suas famosas estantes. Me empolguei e comecei a montar um cenário para fotografar. Nem a luz nem a máquinha são da melhor qualidade, mas o que importa são as informações. Mais ou menos quase tudo isso estava no chão do meu quarto.

Ensaio "Improvável"



Ontem fui ao espaço Muda para assistir ao ensaio de “Improvável”, espetáculo que tem Juan Guimarãe e Thaianne Cavalcanti como atores, dirigidos por Jorge Féo. Surpreendente. Cheguei cedo ao espaço e tirava uma soneca no galpão quando Jorge chega para dar inicio ao ensaio. Juan e Thai se aquecendo, se preparando, e eu sentado observando. Os primeiros movimentos dos dois, que se apresentam neste espetáculo como artistas (no sentido mais profundo da palavra), tiraram minha atenção que estava dividida entre eles e o roteiro de um curta que eu lia. Juan, mais uma vez encantando com sua facilidade de se comunicar com o corpo (é inebriante ver como ele conhece e entende o movimento e intenção de cada músculo seu). Fiquei ali sentado por um instante, mas a inquietação que me pertence não permitiu muito desse exercício de contemplação. Levantei. Andava no tablado como se precisasse ver por outros ângulos, entender melhor aquilo que acontecia. Lindo. Eu já estava satisfeito em ver aqueles primeiros movimentos, já queria bater palmas, mas ainda não tinha começado o ensaio. Cleison estava afinando a iluminação. Terminados os preparativos finais, abrem-se as cortinas. Na minha cabeça, um ponto de interrogação, e antes que terminasse a primeira fala, outro, e outro, e quando menos percebi estava mergulhado na trama. É sobre um casal num dia rotineiro como outro qualquer, dormir, acordar, ir trabalhar, voltar pra casa... O texto é bem claro e direto, na minha opinião, muito eficiente na montagem. Pede aos artistas que preencham as personagens com a ausência de palavras. Thai e Juan, já entrando nas últimas semanas de ensaio, fazem isso com muita poesia, eu diria. Belo, Jorge. As cenas coreografadas se misturam às ações, às falas, falam, contam a história com movimento, o corpo falando claramente ao espectador, a comunicação é direta, por todos os lados. Tem tudo que um bom espetáculo (de arte antes de mais nada) tem que ter: é ousado na concepção, contemporâneo no tema, experimenta livremente a comunicação entre diversas áreas artísticas e é acessível a todo público. Vale a pena conferir dia 27 no teatro Joaquim Cardozo.


Mudou

A intensão dessa birosca aqui sempre foi ter um espaço pra falar. Falar sobre qualquer coisa, sentimentos. Agora pretendo falar especificamente sobre minhas esperiencias artísticas. Eu sei que não vou cumprir todo dia essas postagens, ou pode ser que eu me surpreenda e cumpra, sei lá. Mas eu quero falar sobre filmes, espetáculos, exposições, livros, música... qualquer coisa que passe pelo meu dia e esteja relacionada com o tema. Vamos lá: quem vai querer?

Crer

Como entender a condição de "verdade"? Como decidir qual realidade escolher diante da dúvida? A que lhe agrade. Essa é a condição de "verdade", responder o maior numero de dúvidas, o que certamente nos agrada bastante enquanto seres racionais. A verdade é tendensiosa, existem tantas quanto realidades. Cada olho uma visão, cada cabeça um pensamento, todas realidades únicas e igualmente verdadeiras. Cada ser, de acordo com suas experiências, desenvolve linhas de raciocínio nas quais se basea quando toma uma decisão. As experiências que um indivíduo vive ao longo de sua vida definem gradualmente o que ele fará em seguida, o que o leva pra uma nova experiência, que dá início a um novo ciclo de perguntas e respostas. Isso pode acontecer consciente ou inconscientemente. Mesmo que o individuo não esteja ciente de que esteja vivenciando uma experiência, ele registra os acontecimentos e encontra elementos importantes neles, quanto mais informação, mais respostas, satisfação garantida. Entretanto, nem sempre os caminhos criados satisfazem igualmente os dois seres que preenchem um ser humano, o ser racional e o sentimental (Freud que me ajude, mas não consigo tirar da cabeça que esse ultimo tem relação estreita com a criança). As experiências passadas estão registradas, foram vivenciadas, aconteceram, porém agora estão estáticas. As novas experiências e suas novas informações podem destruir ou mudar drasticamente uma linha de raciocínio, o que pode levar também a um novo entendimento das experiências passadas. Um novo olhar sobre o passado e lá estão novos elementos antes não vistos, menos vistos ainda quando se vivia, e vai o passado mudando o futuro. O presente é uma transição, é muito rápido, não se pode nem entender que se vive e já se passou. Passado e futuro estão muito mais próximos do que se pode imaginar. A verdade está em tudo que se vive.

Entre lá e cá

É como se ela estivesse no meio, ali no limite entre o céu e a terra. A linha que divide. 100% ambas as partes. 50%? Não, 100% ambas. Tudo do céu e tudo da terra, todas as interpretações valem. Vida de linha também é vida dura. Ser tudo e ser nada.
Ser nada pra ser tudo, mas antes ser tudo pra ser nada. Hoje não faço mais questão de muita coisa, já experimentei de muitos sabores, gosto de temas e tenho imagens e sensações guardadas que gosto de cultivar. Faço questão de paz, de buscar constantemente o equilíbrio e de carinho. Carinho no mundo. Brincadeira, sorrisos, afagos, companheirismo, respeito. Que a alegria esteja solta no ar.
Alguns sentimentos, algumas sensações, só são possíveis quando há a soma de outros. Como em qualquer espaço, toda ação causa uma reação... blá blá blá. As vezes esquecemos algumas coisas soltas no ar e aí a fórmula muda. O limite entre o céu e a terra. Pouco pensado, mas existe e é fácil saber onde está.
Harmonia é quando se tem os pelos arrepiados. É quando os pés tocam o chão e a alma é sugada em direção aos céus. Harmonia é quando forças são usadas de modo proporcional as necessidades e uma em função da sobrevivência da outra.
As oposições não só se atraem como se alimentam. Pensando assim é de imaginar que se destruam também. Os gregos adorariam este final. A tragédia nem sempre é necessária, um homem morto com um olho entreaberto e um meio sorriso é uma comédia, só a cabeça dele é tragédia. As vezes esquecemos algumas coisas soltas no ar e aí a fórmula muda.